Prepare-se para uma abordagem realista e emocionante do Lobisomem.
O Lobisomem sempre foi trágico; essa dor faz parte do seu fascínio. Mas para Joshua Williamson, o horror vai além de presas e luas cheias.
Com Monstros da Universal: O Sangue do Lobisomem (com lançamento previsto para 24 de junho), Williamson e o artista Leomacs reintroduzem o icônico monstro por meio de uma história enraizada em algo muito mais concreto: o que acontece quando alguém que você ama faz algo verdadeiramente imperdoável?
“A história realmente se conecta com o mundo real”, disse Williamson. “Você vê todas essas histórias nos noticiários… se você descobre que alguém que você ama fez algo horrível, até onde você iria para proteger essa pessoa?”
É um elemento humano com o qual quase todos os leitores podem se identificar. A história acompanha o estudante universitário Adam Jaeger após um massacre brutal que o leva a questionar se ele é realmente responsável. À medida que o monstro interior começa a emergir de maneiras cada vez mais horripilantes, a narrativa se transforma de um mistério em algo muito mais íntimo e perturbador.
“Para mim, é disso que se trata o Lobisomem”, disse Williamson. “Até onde você está disposto a ir para proteger alguém que você sabe que fez algo errado.”
É um tema que leva a série para um território mais sombrio do que os leitores poderiam esperar. Williamson descreve a HQ como "uma das HQs mais sombrias que acho que já escrevi", apontando para seu peso emocional e tensão moral.
Essa escuridão é equilibrada por um amor de longa data pelo monstro. A ligação de Williamson com o Lobisomem remonta a décadas, moldada tanto pelo terror clássico quanto por pontos de partida inesperados.
"Eu amo o filme original", diz ele. "É trágico... sempre me marcou."
Como muitos fãs da idade de Williamson, seu primeiro contato com o personagem foi através de "Deu a Louca nos Monstros", o que o levou a explorar os filmes em preto e branco da Universal. A partir daí, a mitologia permaneceu com ele, evoluindo para um fascínio por como o personagem poderia ser reinterpretado.
Na verdade, quando a Skybound abordou Williamson sobre a linha Monstros da Universal, sua resposta foi imediata: “Eu disse: ‘Sim, Lobisomem. Eu serei o Lobisomem’”.
Esse entusiasmo contagiante transparece no DNA da HQ, que se inspira em uma ampla gama de histórias de lobisomens, incluindo o clássico Um Lobisomem Americano em Londres e Lobo. Williamson acabou se inspirando em diferentes tons e estruturas para moldar sua abordagem.
Ainda assim, O Sangue do Lobisomem não se interessa em simplesmente revisitar terrenos já conhecidos. Em vez disso, Williamson se entrega à incerteza. Na primeira edição, os leitores são deixados questionando o que realmente aconteceu, colocando-os na mesma posição do pai de Adam, que é forçado a confrontar uma possibilidade impensável.
“Se seu filho chegasse para você e dissesse: ‘Eu sou um lobisomem e já fiz algo terrível’, o que você faria?”, disse Williamson. “Você acreditaria? Você confiaria?”
Essa tensão não é unilateral. Williamson insinua logo no início que o pai carrega seus próprios problemas, o que complica qualquer senso de clareza moral. Williamson acrescenta: "Vocês verão que o pai dele não é uma boa pessoa".
É mais um detalhe que adiciona outra camada ao dilema central da história. Este não é um caso simples de um bom pai protegendo um filho problemático. Ambos os lados do relacionamento são moldados por segredos, forçando os leitores a questionarem não apenas o que Adam pode ter feito, mas também o que seu pai pode estar escondendo.
Essa ambiguidade se torna parte do horror. Mesmo sabendo que estão em uma história do Lobisomem, a realidade emocional da situação complica as coisas. Não se trata apenas de monstros, mas de dúvida, negação e responsabilidade.
O cenário também desempenha um papel fundamental na construção desse tom. Ambientada nos anos 1970, a série explora uma era que Williamson admira tanto pela sua cinematografia quanto pela sua sensibilidade narrativa.
“O fato de a história se passar nos anos 70 ajuda bastante”, disse Williamson. “É uma ótima década para filmes de terror… tantos filmes bons dos anos 70 que eu adoro e considero influentes.”
A ausência da tecnologia moderna também permite que a história respire, eliminando a vigilância constante do presente e deixando o mistério se desenrolar de forma mais natural. Ao mesmo tempo, Williamson sugere que a escolha da época não é apenas estética. Williamson acrescentou: “Há uma razão cronológica para ter que ser nos anos 70.”
Visualmente, a série ganha vida pelas mãos de Leomacs (e com as cores de Pip Martin), criando um visual realista e atmosférico que complementa a carga emocional. Williamson já havia trabalhado com Leomacs em 2022 em Vilões, e uma segunda colaboração finalmente se concretizou aqui. Williamson acrescentou: “Ele é ótimo… Adoro trabalhar com ele neste projeto.”
Como parte da crescente linha Monstros da Universal da Skybound, O Sangue do Lobisomem se junta a uma onda de releituras que vêm conquistando os leitores há algum tempo. O próprio Williamson é fã das diversas séries em quadrinhos já lançadas, acrescentando que "Frankenstein é provavelmente a minha favorita", ao mesmo tempo em que elogia o trabalho do criador Michael Walsh.
Mas com O Sangue do Lobisomem, Williamson está criando seu próprio espaço dentro desse legado. Ao ancorar o horror em dilemas do mundo real, ele busca entregar algo que permaneça na memória além das páginas.
"O melhor tipo de terror é quando você conta uma história real, mas a esconde em meio ao horror", disse Williamson.
Para Adam Jaeger, essa história real está apenas começando.
